Celebração religiosa campal realizada em frente à Catedral Metropolitana de Florianópolis durante as obras de reforma e ampliação em 1922
DATA / PERÍODO
1922
DESCRIÇÃO
Celebração religiosa campal realizada em 1922, em frente à Catedral Metropolitana de Florianópolis, Santa Catarina. O registro captura o edifício sagrado em um momento crucial de sua história: a grande reforma iniciada para as comemorações do Centenário da Independência do Brasil, que resultou no aumento das paredes laterais, alteração das torres e, posteriormente, no acréscimo de um alpendre neoclássico em suas portadas. A catedral, em plano médio, encontra-se envolta por um denso sistema de andaimes de madeira sobre a alvenaria bruta, evidenciando as obras de ampliação encomendadas por Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Sobre a parede inacabada, destaca-se um grande painel retangular figurativo. Abaixo deste, dois quiosques litúrgicos efêmeros decorados com ramos de palmeiras servem de altar para a cerimônia realizada em 25 de novembro de 1922, dia da festa de Santa Catarina, ocasião em que foram abençoados os cinco novos sinos vindos da Alemanha.
A assembleia ocupa a porção inferior da imagem em uma organização espacial rigorosa. Centenas de crianças e jovens, trajando túnicas brancas e uniformes claros, estão posicionados de costas para o observador, voltados para os altares e para a torre que já abrigava, desde 1897, um relógio de origem alemã. A solenidade marca a integração do novo carrilhão germânico que, somado aos dois sinos históricos doados pelo Imperador Dom Pedro II (de 1872 e 1896), totalizou um conjunto de sete sinos pesando 5.838 quilos — na época, o maior conjunto de sinos da América Latina. No limite inferior do quadro, em primeiro plano, uma fileira de fiéis ajoelhados sobre o calçamento de paralelepípedos reforça a atmosfera devocional que antecederia outras melhorias futuras, como o órgão Speith Orgelbau (1924) e os vitrais paulistas (1949).
A composição técnica utiliza uma perspectiva frontal que enfatiza a monumentalidade da intervenção arquitetônica em contraste com a escala humana da multidão. A iluminação natural zenital projeta sombras nítidas sob a trama dos andaimes, documentando o progresso material e a coesão espiritual da capital catarinense na década de 1920.
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