Rua das Palmeiras, localizada no município de Blumenau
DATA / PERÍODO
1880
DESCRIÇÃO
Perspectiva histórica da Rua das Palmeiras após uma enchente, localizada no centro do município de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, documentada por volta de 1880. O registro insere-se no período de transição administrativa em que a antiga colônia, fundada em 1850 pelo doutor Hermann Bruno Otto Blumenau para consolidar o núcleo de colonização alemã no Vale do Itajaí, foi elevada à categoria de município pela Lei nº 860, de 4 de fevereiro de 1880. No primeiro plano inferior esquerdo e estendendo-se em linha diagonal em direção ao centro da cena, destaca-se o alinhamento de majestosos Jerivás (Syagrus Romanzoffiana), palmeiras de troncos delgados, cilíndricos e verticais que foram plantadas originalmente em 1873 sob a coordenação direta do fundador da colônia. Os espécimes botânicos projetam-se verticalmente em direção ao topo do enquadramento, exibindo copas pontiagudas de folhas pinadas dispersas. Uma estrutura rústica de cercamento perimetral, composta por uma sucessão regular de postes verticais de madeira fixados diretamente no solo, delimita a margem da via pública não pavimentada, a qual apresenta superfícies irregulares com indícios de lama e terra batida revolvida. No plano médio esquerdo, dispostas de forma estática rente à cerca, identificam-se estruturas circulares de rodas raiadas pertencentes a carroças de madeira utilizadas para o transporte de colonos e mercadorias.
No plano médio e de fundo à direita, desenvolve-se uma fileira contínua de edificações coloniais que constituíam o núcleo urbano pioneiro e expressavam a forte identidade cultural germânica na arquitetura da colônia, compreendendo estruturas de valor histórico identificadas como o Barracão dos Imigrantes, o Hotel Schreep e a Casa Meyer & Spierling. A primeira edificação posicionada na extrema direita, de um único pavimento e construída em alvenaria com acabamento superficial escuro e desgastado, exibe um telhado de duas águas com telhas cerâmicas canaladas e uma abertura de janela retangular vertical; no vão dessa janela, observa-se nitidamente a presença de uma figura humana disposta de perfil frontal voltada para o exterior. Adjacente à lateral esquerda desta casa, projeta-se na estrada a silhueta de uma segunda figura humana masculina em pé, trajando calças escuras, camisa clara e chapéu de abas circulares rígidas. Em continuidade para a esquerda, o alinhamento urbano revela um edifício alongado de um pavimento com múltiplas aberturas simétricas de portas e janelas de esquadrias claras, sucedido por um imponente edifício de dois pavimentos executado na técnica construtiva enxaimel. Esta última estrutura revela com clareza a malha ortogonal de vigas de madeira que compõe o esqueleto estrutural autoportante da edificação, preenchido por fiadas de tijolos cerâmicos aparentes. O plano de fundo superior exibe uma faixa de céu claro com iluminação difusa e tonalidade uniforme, sem formações de nuvens.
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