Vista de um logradouro urbano alagado durante a enchente de 1939, em Tijucas, Santa Catarina. O transbordamento massivo do Rio Tijucas cobriu as ruas de terra e elevou o nível da água até a altura das calçadas, paralisando o trânsito convencional e afetando o comércio da região. A composição frontal captura os impactos da vulnerabilidade geográfica local, evidenciando a via pública transformada em um extenso espelho d'água que reflete as fachadas arquitetônicas, a rede elétrica e os pedestres que ocupam o espaço.
No primeiro plano à esquerda, um grupo de indivíduos aguarda de pé sobre uma calçada de alvenaria elevada. Um menino com roupas escuras e mãos nos bolsos posiciona-se na extremidade inferior, acompanhado por um homem adulto de chapéu e terno escuro, além de três crianças menores, incluindo uma menina vestindo um traje claro. Atrás desse agrupamento, destaca-se a fachada de uma edificação de alvenaria clara com ornamentos clássicos, pilastras estruturais e altas janelas envidraçadas. O plano médio revela a extensão da rua totalmente submersa, onde dezenas de moradores caminham imersos na água barrenta que atinge as suas pernas, predominando figuras masculinas que trajam camisas claras, calças arregaçadas, suspensórios e chapéus.
O lado direito da composição é margeado por residências simples delimitadas por cercas rústicas, destacando-se uma casa com paredes de tábuas verticais, telhado de cerâmica e uma pessoa observando o nível da água a partir do batente da porta. Um poste de madeira ergue-se verticalmente próximo às casas, sustentando os fios da rede elétrica urbana que cruzam a porção superior do enquadramento sob um céu nublado e denso. O plano de fundo apresenta o prolongamento da via inundada com a perspectiva convergindo para o centro, onde a silhueta de mais construções, outros pedestres ilhados e copas de árvores encerram a paisagem afetada pela inundação.