Via do núcleo urbano do município de Tijucas, em Santa Catarina, completamente submersa pelas águas durante a severa enchente de 1939. O transbordamento massivo do Rio Tijucas cobriu as ruas de terra e invadiu residências, paralisando as atividades regulares da cidade e exigindo a utilização de pequenas embarcações para a locomoção. A imagem centraliza o impacto deste desastre climático que marcou a memória coletiva local, evidenciando a transformação da infraestrutura viária em um canal navegável.
No primeiro plano, o extenso espelho d'água ocupa a totalidade do enquadramento horizontal, refletindo a luminosidade difusa do ambiente e encobrindo o nível térreo do calçamento. À esquerda, destaca-se uma longa edificação de esquina com telhado de duas águas, cuja fachada frontal possui revestimento escuro e duas janelas simétricas, enquanto a parede lateral exibe pintura clara e uma sequência contínua de janelas envidraçadas. O terreno é contornado por uma cerca de madeira com estacas verticais que se encontra parcialmente submersa. Próximo a essa estrutura, ergue-se um poste de madeira sustentando isoladores e cabos da rede elétrica local. Navegando no plano médio, pelo centro da rua, um homem vestindo roupas escuras e chapéu posiciona-se em pé sobre uma estreita canoa de madeira, utilizando uma haste para propulsão na água.
O lado direito da composição é balizado pela lateral de uma construção de madeira escura e por um muro baixo de alvenaria que auxiliam na demarcação da perspectiva da rua. Mais ao fundo, na margem esquerda da via inundada, observa-se um grupo de moradores agrupados de pé junto às portas e calçadas elevadas de pequenos imóveis comerciais, buscando refúgio das águas que se aproximam da altura das janelas. Atrás dessas construções, uma alta palmeira destaca-se verticalmente contra o céu claro e sem nuvens definidas. A profundidade geométrica da imagem documenta a extensão da inundação pelo núcleo urbano contínuo, registrando visualmente os prejuízos e o isolamento enfrentados pela população ribeirinha.