Banquete oficial realizado no salão nobre de refeições do Palácio do Governo de Santa Catarina
DATA / PERÍODO
c. 1910 a 1920
DESCRIÇÃO
Banquete oficial realizado no salão nobre de refeições do Palácio do Governo de Santa Catarina, atual Palácio Cruz e Sousa, localizado na cidade de Florianópolis. O evento solene ocorre durante o governo de Hercílio Luz, período que corresponde a uma das fases mais transformadoras para a infraestrutura, urbanização e consolidação política de Santa Catarina, quando o governador, engenheiro de formação que exerceu três mandatos na República Velha (1894 a 1898, 1918 a 1922 e 1922 a 1924) sob o ideal positivista de ordem e progresso, encontra-se à mesa acompanhado de políticos, autoridades estaduais e convidados ilustres. A composição fotográfica estrutura-se em uma perspectiva diagonal profunda que percorre a extensão de uma longa mesa retangular perfeitamente posta, capturando a disposição simétrica dos participantes sentados ao longo de ambos os lados e destacando a suntuosidade decorativa da arquitetura eclética do palácio.
Em primeiro plano e plano médio, a mesa coberta por uma alva toalha de tecido fino exibe uma ornamentação minuciosa composta por louças brancas, talheres dispostos, guardanapos, taças de vidro para água e vinho em diferentes formatos, copos lapidados, pratos rasos e fundos, travessas e arranjos florais elevados com jarras de vidro e suporte central. Os convidados, dispostos em fila de ambos os lados da mesa, são homens de meia-idade e idosos trajando rigorosos trajes formais de época, incluindo ternos escuros, fraques, casacas, camisas brancas de colarinho rígido e gravatas escuras ou gravatas borboleta, mantendo posturas sóbrias e compenetradas voltadas para o centro e para o observador. Ao fundo do salão, as paredes aparecem revestidas por papel de parede ricamente trabalhado com estamparia em arabescos e drapeados pesados de tecidos encorpados com passamanarias e franjas sobre os vãos das portas e janelas.
No canto superior direito da cena, destaca-se a abertura em arco contendo o vitral decorativo antes de ser substituído, obra artística criada na década de 1920 pela Casa Conrado, reconhecida como o primeiro e mais tradicional ateliê de vitrais do Brasil. A estrutura do vitral exibe tramas geométricas e elementos florais que filtram a iluminação natural, posicionada logo atrás de um biombo dobrável de três painéis com acabamento claro. A iluminação interna do ambiente combina a luz difusa proveniente das aberturas com pontos de luz direcionada, ressaltando os reflexos nos cristais da mesa, o brilho das superfícies polidas, o relevo dos tecidos dos cortinados e as texturas das vestimentas formais dos integrantes da mesa governamental.
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