Vista em perspectiva da Cruz de São João Maria (também conhecida como Cruz do Monge), relíquia de madeira instalada no topo do Morro do Cruzeiro (atual Praça Hercílio Luz) no município de Mafra, Santa Catarina.
Fincada originalmente em 30 de junho de 1851 pelo monge eremita João Maria como a última de uma Via Sacra de dezenove cruzes erguidas para debelar uma violenta epidemia de varíola durante o período de instabilidade da Guerra dos Farrapos, a estrutura de madeira tornou-se o principal símbolo da fé católica popular na região. Em primeiro plano, a composição destaca um monte elevado de terra e rocha sobre o qual se assenta a base cimentada que sustenta a grande cruz rústica com escoras transversais, adornada por duas coroas de flores trançadas dispostas na haste vertical e no cruzamento dos braços.
No plano médio, a partir da elevação da praça, avista-se ao fundo o vale do Rio Negro e a estrutura em treliça de ferro da Ponte Metálica Dr. Diniz Assis Henning, via hídrica e terrestre de integração entre as cidades irmãs de Mafra e Rio Negro, além de postes de fiação elétrica e linhas férreas que cortam o terreno. No plano de fundo, o cenário é composto por suaves ondulações do relevo pontuadas pela silhueta de araucárias (pinheiros-do-paraná) sob o céu claro e enevoado.
O registro associa-se ao período imediato à tentativa de remoção da relíquia em agosto de 1919, quando o poder público ordenou sua transferência para o cemitério municipal, fato que desencadeou intensa revolta popular e culminou no seu retorno definitivo ao local em 1926 com a edificação de uma capela protetora. No canto superior direito do anverso, encontra-se registrado o manuscrito "126".
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