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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-4203
TÍTULO
Dom Silvério Gomes Pimenta (1840–1922)
DATA / PERÍODO
Sem data
DESCRIÇÃO
Retrato de estúdio de Dom Silvério Gomes Pimenta, apresentado de frente, com o rosto ligeiramente voltado para a esquerda da imagem. Veste batina escura, com a fileira de botões visível, e traz uma cruz peitoral suspensa ao centro do peito. A figura aparece em uma composição oval, sobre fundo claro, sem elementos de cenário. Na margem inferior do cartão estão impressos o nome do estabelecimento fotográfico J. Borghese e a cidade de Roma.
Nascido em Congonhas do Campo, Minas Gerais, Silvério ficou órfão de pai ainda criança e trabalhou como caixeiro e sapateiro antes de prosseguir os estudos. Frequentou o colégio dos padres lazaristas em Congonhas e ingressou no Seminário de Mariana com o apoio de Dom Antônio Ferreira Viçoso. Destacou-se como professor de latim e foi ordenado sacerdote em 1862. Sua formação e seu trabalho como educador se desenvolveram em uma sociedade escravocrata, na qual sua origem humilde e ascendência africana impunham barreiras particularmente severas.
Após a morte de Dom Viçoso, participou do governo da Diocese de Mariana como vigário capitular e, posteriormente, vigário-geral. Em 1890, foi nomeado bispo titular de Câmaco e auxiliar de Mariana. É essa etapa de sua trajetória que a identificação manuscrita no verso registra. A fotografia feita em Roma apresenta, portanto, o religioso antes de sua atuação como bispo diocesano de Mariana, iniciada em 1897, e como primeiro arcebispo da cidade, após a elevação da diocese a arquidiocese em 1906. A Arquidiocese de Mariana o reconhece como o primeiro bispo negro do Brasil.
Dom Silvério também se afirmou como escritor, orador e jornalista. Publicou cartas pastorais, escreveu Vida de D. Viçoso e participou da imprensa religiosa de Mariana. Em 1919, foi eleito para a Cadeira nº 19 da Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro prelado brasileiro a integrá-la. Faleceu em Mariana em 30 de agosto de 1922.
Silvério Gomes Pimenta, Dom Silvério, bispo titular de Câmaco, bispo auxiliar de Mariana, Arquidiocese de Mariana, clero negro, Congonhas do Campo, Minas Gerais, Academia Brasileira de Letras, século XIX, J. Borghese, Roma, fotografia de estúdio, retrato eclesiástico, inscrição manuscrita