Datada da década de 1910 a 1920, documenta a construção de infraestrutura do canal entre Laguna e Araranguá, no estado de Santa Catarina, destacando como elemento central uma extensa hidrovia artificial preenchida por água que se alonga de forma retilínea em direção ao horizonte. No primeiro plano, visualiza-se em pormenor a elevação de terra escavada e compactada que constitui um dique ou caminho de circulação na margem esquerda do canal, flanqueado nas extremidades inferiores por vegetação rasteira e densa de restinga. Integrada de forma orgânica ao suporte secundário de papel cartão cinza, decorado com molduras fitomórficas ornamentais em relevo cego nos quatro cantos, identifica-se na margem inferior a inscrição manuscrita em caligrafia cursiva “Canal Laguna - Araranguá” e, logo abaixo, a indicação “Rancho n. 3”.
No plano médio esquerdo, erguida sobre a plataforma de terra batida, situa-se uma edificação rústica de apoio técnico estruturada em tábuas verticais de madeira e telhado de duas águas. Próximo à porta aberta desta estrutura, posiciona-se um grupo de cerca de sete figuras humanas masculinas vestindo trajes formais do período, compostos por paletós escuros, calças compridas e chapéus de abas variadas; uma das figuras, localizada na extremidade esquerda do grupo, destaca-se por trajar uma capa longa e escura combinada a um chapéu claro. Junto aos indivíduos, nota-se a presença de um animal doméstico canino de pequeno porte sobre o solo. À direita da composição, a superfície calma da água reflete a luminosidade natural, delimitada pela margem oposta que apresenta cobertura vegetal palustre contínua e uniforme.
No plano de fundo, a perspectiva linear do canal converge ao longe sob um amplo céu claro com poucas nuvens, que ocupa a metade superior da imagem. A topografia circundante é predominantemente plana e recoberta por vegetação baixa, pontuada de modo isolado no extremo esquerdo do horizonte pela silhueta de algumas palmeiras altas. A iluminação solar direta incide sobre a cena da direita para a esquerda, gerando sombras projetadas nítidas pelas figuras humanas e pelo rancho de madeira sobre a superfície irregular da terra trabalhada.
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