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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-3981
TÍTULO
Cortejo fúnebre do jornalista Crispim Mira (1880-1927)
DATA / PERÍODO
05 / 03/ 1927
DESCRIÇÃO
Cartão-postal, apresenta em plano geral de perspectiva elevada o cortejo fúnebre do jornalista Crispim Mira (1880-1927), realizado em março de 1927 na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. A tomada fotográfica em picado registra uma expressiva multidão composta predominantemente por homens trajando ternos de tom escuro e chapéus, que ocupam integralmente o leito da via pública urbanizada. No setor inferior direito da imagem, homens conduzem o féretro acompanhado por grandes coroas de flores. A via é ladeada por edificações e sobrados de arquitetura colonial e eclética, em cujas sacadas e janelas do pavimento superior observam-se diversos espectadores que testemunham a passagem do préstito. No lado esquerdo do leito da rua, em meio à multidão, divisa-se um estandarte com a inscrição “FUNERARIA CARDOZO”. Na margem lateral direita da fotografia, observa-se a anotação manuscrita à tinta “( Rua Tiradentes )”, acompanhada por uma seta indicativa voltada para o préstito, enquanto na margem inferior do anverso figura grafada a legenda manuscrita “Enterro de Crispim Mira”.
Nascido em Joinville em 13 de setembro de 1880 e falecido em Florianópolis em 5 de março de 1927, Crispim Mira desempenhou papel de grande relevância na imprensa catarinense como escritor, diretor e proprietário do jornal Folha Nova. Sua atuação crítica em relação à administração pública e às irregularidades no Porto de Florianópolis motivou o atentado ocorrido na redação do seu periódico em 17 de fevereiro de 1927, no qual foi atingido no rosto por disparos de arma de fogo. Após dezesseis dias internado no Hospital de Caridade, o jornalista faleceu em decorrência de complicações do ferimento. O funeral mobilizou uma comoção popular sem precedentes na capital catarinense, transformando o ato fúnebre na Rua Tiradentes em uma manifestação coletiva em favor da liberdade de imprensa e de protesto contra a violência política na Primeira República.