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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-4016
TÍTULO
Revolução Federalista
DATA / PERÍODO
1893 a 1895
DESCRIÇÃO
Montada sobre passe-partout acartonado bege ornado por filetes duplos em tinta vermelha e cantoneiras estilizadas, apresenta dois revolucionários armados atuantes durante a Revolução Federalista (1893-1895). A composição organiza-se em plano inteiro no interior de um ateliê fotográfico ambientado com plantas tropicais de grandes folhagens ao fundo, simulando uma cenografia natural. À esquerda, em pé, figura um homem jovem de corpo inteiro, levemente voltado para a sua esquerda, trajando paletó escuro de abotoamento duplo, camisa clara com lenço de pescoço nodado, calça ampla em tom claro ajustada na cintura e chapéu de abas médias; ele apoia a mão esquerda sobre uma mesa lateral coberta por toalha de renda e segura uma espada embainhada. À direita, sentado em uma cadeira de madeira disposta de perfil, posiciona-se o segundo revolucionário, homem de bigodes proeminentes, trajando paletó escuro, lenço claro amarrado ao pescoço, poncho de franjas disposto sobre a coxa direita, calça escura ajustada em botas de couro de cano alto com esporas e chapéu de abas largas de modelo gaúcho; ele empunha com a mão esquerda uma espada embainhada apoiada verticalmente ao solo, enquanto ostenta um revólver ou baioneta preso ao cinto de couro. Na margem lateral direita do passe-partout acartonado, leem-se as inscrições impressas em tipografia vermelha “B. SCHEIDEMANTEL” na parte inferior e “BLUMENAU.” na parte superior.
O registro insere-se no contexto da guerra civil da Revolução Federalista (1893-1895), conflagração sangrenta travada na Região Sul do Brasil durante a República da Espada. O conflito originou-se das disputas políticas no Rio Grande do Sul entre os republicanos (Pica-Paus ou chimangos), liderados por Júlio de Castilhos e apoiados pelo governo centralizador do presidente Floriano Peixoto, e os federalistas (Maragatos), sob liderança de Gaspar Silveira Martins, que defendiam a descentralização do poder, a derrubada de Castilhos e o regime parlamentarista. A guerra expandiu-se por Santa Catarina e Paraná, registrando episódios de extrema violência como o Cerco da Lapa, conexões com os insurgentes da Revolta da Armada e a prática sistemática de degolas, culminando no tratado de paz assinado em agosto de 1895 sob a presidência de Prudente de Morais.