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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-5404
TÍTULO
Casa de Gregorio Zabberoni — Refúgio de Garibaldi e Leggero
DATA / PERÍODO
Sem data
DESCRIÇÃO
Rua de Ravenna, na Itália. À esquerda, uma sequência contínua de edificações urbanas de dois e três pavimentos conduz o olhar para o fundo da composição. As fachadas, de reboco claro e aspecto austero, apresentam portas em arco, janelas protegidas por venezianas, pequenos balcões e gradis metálicos. A residência tradicionalmente identificada como casa de Gregorio Zabberoni ocupa o primeiro segmento desse conjunto. Coroas e ornamentos comemorativos encontram-se afixados junto às aberturas do pavimento térreo, assinalando publicamente a importância histórica do imóvel.
A via, ampla e aparentemente não pavimentada, é ocupada por poucas figuras humanas. Junto às edificações do lado direito distinguem-se moradores, bancos ou cadeiras dispostos na calçada e pequenos elementos do cotidiano urbano. Mais ao fundo aparece uma carroça de tração animal, acompanhada por figuras de escala reduzida. A perspectiva converge para o Portonaccio, também denominado Porta Ravegnana, cujo arco monumental encerra visualmente a rua. Construído em 1785 segundo projeto de Camillo Morigia, o monumento celebrava a recuperação da antiga estrada que ligava Ravenna a Forlì.
A casa está relacionada à etapa urbana da Trafila Garibaldina, rede clandestina organizada por patriotas da Romanha para impedir a captura de Giuseppe Garibaldi após a queda da República Romana. Na madrugada de 9 de agosto de 1849, Garibaldi e seu companheiro Giovanni Battista Culiolo, conhecido como Leggero, chegaram a Ravenna depois de atravessarem campos, pinhais e canais sob perseguição austríaca. Foram conduzidos por Gregorio Zabberoni e outros colaboradores até a chamada Casa del Sobborgo Sisi, na Via Ravegnana. Embora a tradição iconográfica e a catalogação histórica denominem o edifício “Casa de Gregorio Zabberoni”, a cronologia da Trafila registra que o imóvel pertencia a Geltrude Goggi, mãe de Zabberoni. Os fugitivos permaneceram escondidos ali durante o dia 9 e parte do dia 10 de agosto, antes de serem transferidos para uma residência próxima pertencente aos irmãos Plazzi.
Produzida algumas décadas depois dos acontecimentos, a fotografia não documenta diretamente a fuga de 1849, mas a transformação posterior da casa em lugar de memória do Risorgimento. As coroas colocadas na fachada, a escolha do enquadramento e a inclusão do Portonaccio ao fundo inserem o antigo refúgio na paisagem monumental de Ravenna e registram o processo de celebração pública dos colaboradores que protegeram Garibaldi.
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