Alegoria em baixo-relevo esculpida por Antonino de Matos, representando a Musa da Poesia Simbolista em posição jacente, capturada no interior do estúdio do artista no Rio de Janeiro. A obra compõe a Herma de João da Cruz e Sousa, poeta simbolista catarinense conhecido como Cisne Negro, cuja pedra fundamental foi lançada em 19 de março de 1923 sob a articulação da comissão presidida por José Arthur Boiteux.
A figura feminina central encontra-se emoldurada por uma estrutura retangular vertical, ladeada por extensos panos drapeados que pendem de forma simétrica desde o topo até a base do suporte escultórico. No plano principal, a escultura apresenta a mulher com os olhos cerrados e feições serenas, exibindo cabelos longos e ondulados que repousam sobre os ombros. Ela veste uma túnica densamente plissada que se estende até a extremidade inferior, deixando os pés descalços visíveis. Suas mãos estão cruzadas sobre o peito e seguram um volumoso buquê de rosas esculpidas em alto-relevo, rodeadas por hastes, folhas e botões florais que descem pela lateral direita da figura. Esses elementos materiais traduzem visualmente as noções de purificação espiritual presentes nas obras Broquéis e Faróis. A iluminação incide lateralmente a partir da esquerda, projetando sombras bem delimitadas que acentuam a profundidade dos relevos e as texturas da modelagem.
O plano de fundo revela o ambiente de trabalho do ateliê, destacando à esquerda os contornos desfocados de um busto masculino posicionado sobre um cavalete de madeira, além de outras estruturas técnicas que se misturam à penumbra do espaço. A composição fotográfica possui orientação vertical e enquadramento frontal, englobando a totalidade da obra em sua fase de ateliê, antecedendo a inauguração oficial do monumento ocorrida em 7 de abril de 1923.
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