Vista da antiga Praia da Mariquita, localizada no tradicional bairro do Rio Vermelho em Salvador, Bahia, no início do século XX, configurada em um suporte de cartão-postal monocromático com orientação horizontal.
No primeiro plano inferior, destaca-se a atividade de uma colônia de pescadores disposta sobre a faixa de areia e na água, evidenciando botes artesanais estacionados e em movimentação na margem. Um homem posicionado em pé no interior de uma das embarcações segura uma longa vara de condução em sentido diagonal, enquanto outra figura humana agacha-se próxima a ele. No canto inferior esquerdo do anverso, identifica-se a inscrição impressa “BAHIA”, enquanto no canto inferior direito consta a legenda “Mariquita (Rio Vermelho)”.
O plano médio apresenta o conjunto pioneiro de construções coloniais alinhadas ao longo da praia, constituído por sobrados de dois pavimentos com janelas simétricas e coberturas de telhas cerâmicas, além de edificações térreas adjacentes. No setor direito da praia, observa-se um acúmulo de toras de madeira empilhadas sobre o solo claro junto a estruturas rústicas de suporte. O local remete historicamente ao cenário do naufrágio do navegador português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, por volta de 1510, área que na atualidade transformou-se no Largo da Mariquita, abrigando a colônia de pescadores Z-1, a tradicional Festa de Iemanjá em todo dia 2 de fevereiro e o memorial na antiga residência de Jorge Amado e Zélia Gattai.
No plano de fundo, ergue-se uma elevação topográfica totalmente recoberta por uma densa vegetação nativa de Mata Atlântica, cuja massa arbórea escura domina toda a metade superior da composição. Uma palmeira solitária destaca-se verticalmente acima da copa das demais árvores contra a linha do horizonte. O nome Mariquita origina-se do termo tupi mairaquiquiig, que significa “lugar que dá peixe miúdo” devido à concentração histórica de petitingas na região, cenário capturado aqui com rigor documental sob iluminação natural diurna.