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Embarcação Seival, posteriormente denominada Garrafão, em Laguna
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by Eugenio Pelegrin  
Anexos
IHG-FOT-5371-VERSO
INFORMAÇÕES SOBRE O ACERVO
Miniatura
CONDIÇÕES DE REPRODUÇÃO
Acervo protegido pela Lei nº 9.610/1998. Proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização dos detentores legais do direito. Obrigatória a citação da referência para fins acadêmicos e expositivos. É vedada a remoção da logomarca em qualquer situação.
NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-5371
TÍTULO
Embarcação Seival, posteriormente denominada Garrafão, em Laguna
DATA / PERÍODO
Déc. 1910
DESCRIÇÃO
Cartão-postal fotográfico, em formato horizontal, intensamente retocado e colorido à mão, representando os restos de uma embarcação de madeira identificada no verso como o Seival. O casco encontra-se em seco, apoiado sobre travessas e blocos de madeira junto à margem. A perda de grande parte do revestimento exterior deixa visível o cavername, formado por numerosas peças curvas e paralelas que estruturavam o costado. Permanecem algumas tábuas longitudinais, partes da borda e elementos verticais incompletos, evidenciando o avançado estado de desmonte e deterioração da embarcação.
Na extremidade direita, a proa conserva parte de sua estrutura e um longo gurupés projetado diagonalmente para o alto. Sobre o casco e junto à borda aparecem oito pessoas, entre adultos e jovens, vestindo paletós, casacos e diferentes tipos de chapéu. O grupo posa diretamente para a câmera, contribuindo para a percepção da escala do barco. À direita, sobre o terreno, observa-se uma pequena canoa ou embarcação auxiliar. Ao fundo aparecem uma faixa de água, elevações cobertas por vegetação e algumas edificações pouco definidas na margem oposta. O tratamento manual reforça os contornos do casco, das cavernas, das figuras humanas e da paisagem, conferindo ao registro aparência intermediária entre fotografia e pintura.
No verso, a anotação “Os restos do Seival” identifica diretamente o objeto representado. O cartão está datado de “Laguna – 26 de Abril de 1916” e contém mensagem assinada por J. Boiteux, dirigida ao comandante H. Boiteux, então subchefe do Estado-Maior da Armada Nacional. O remetente apresenta a imagem como a “ultima photographia do ‘Seival’” e afirma que a embarcação havia desaparecido recentemente, consumida pelas chamas em consequência da incúria. Em linguagem memorialística, acrescenta que Anita Garibaldi, denominada “heroina dos dois mundos”, choraria a perda do barco que a teria auxiliado a alcançar a “Gloria Immortal”. O conteúdo torna o cartão um testemunho contemporâneo tanto da destruição do casco quanto da construção da memória cívica associada ao Seival e a Anita Garibaldi.
Construído para servir às forças da República Rio-Grandense, o Seival recebeu o nome da batalha travada em 10 de setembro de 1836, cuja vitória farroupilha antecedeu a proclamação da República Rio-Grandense. Em 1839, juntamente com o Farroupilha, foi transportado por terra desde a região da Lagoa dos Patos até Tramandaí, em uma operação realizada com grandes carretas e numerosas juntas de bois. Depois do naufrágio do Farroupilha, Giuseppe Garibaldi assumiu o comando do Seival e participou da ofensiva naval que resultou na tomada de Laguna, em 22 de julho de 1839. Poucos dias depois, foi proclamada na cidade a República Catarinense, também conhecida como República Juliana.
Após o encerramento da experiência republicana em Santa Catarina, a embarcação associada ao Seival teria sido incorporada à navegação mercante sob o nome Garrafão. Já deteriorada, permaneceu abandonada no antigo porto de Laguna até ser destruída por um incêndio, ocorrido entre 1915 e 1917. A data e o conteúdo da correspondência indicam que este cartão foi produzido ou remetido pouco depois daquele acontecimento, constituindo um dos últimos registros visuais do casco. O destinatário da correspondência era Henrique Boiteux, oficial da Marinha e pesquisador da história naval catarinense. Em abril de 1916, possuía a patente de capitão de mar e guerra; seria promovido a contra-almirante em julho do mesmo ano.
Na extremidade direita, a proa conserva parte de sua estrutura e um longo gurupés projetado diagonalmente para o alto. Sobre o casco e junto à borda aparecem oito pessoas, entre adultos e jovens, vestindo paletós, casacos e diferentes tipos de chapéu. O grupo posa diretamente para a câmera, contribuindo para a percepção da escala do barco. À direita, sobre o terreno, observa-se uma pequena canoa ou embarcação auxiliar. Ao fundo aparecem uma faixa de água, elevações cobertas por vegetação e algumas edificações pouco definidas na margem oposta. O tratamento manual reforça os contornos do casco, das cavernas, das figuras humanas e da paisagem, conferindo ao registro aparência intermediária entre fotografia e pintura.
No verso, a anotação “Os restos do Seival” identifica diretamente o objeto representado. O cartão está datado de “Laguna – 26 de Abril de 1916” e contém mensagem assinada por J. Boiteux, dirigida ao comandante H. Boiteux, então subchefe do Estado-Maior da Armada Nacional. O remetente apresenta a imagem como a “ultima photographia do ‘Seival’” e afirma que a embarcação havia desaparecido recentemente, consumida pelas chamas em consequência da incúria. Em linguagem memorialística, acrescenta que Anita Garibaldi, denominada “heroina dos dois mundos”, choraria a perda do barco que a teria auxiliado a alcançar a “Gloria Immortal”. O conteúdo torna o cartão um testemunho contemporâneo tanto da destruição do casco quanto da construção da memória cívica associada ao Seival e a Anita Garibaldi.
Construído para servir às forças da República Rio-Grandense, o Seival recebeu o nome da batalha travada em 10 de setembro de 1836, cuja vitória farroupilha antecedeu a proclamação da República Rio-Grandense. Em 1839, juntamente com o Farroupilha, foi transportado por terra desde a região da Lagoa dos Patos até Tramandaí, em uma operação realizada com grandes carretas e numerosas juntas de bois. Depois do naufrágio do Farroupilha, Giuseppe Garibaldi assumiu o comando do Seival e participou da ofensiva naval que resultou na tomada de Laguna, em 22 de julho de 1839. Poucos dias depois, foi proclamada na cidade a República Catarinense, também conhecida como República Juliana.
Após o encerramento da experiência republicana em Santa Catarina, a embarcação associada ao Seival teria sido incorporada à navegação mercante sob o nome Garrafão. Já deteriorada, permaneceu abandonada no antigo porto de Laguna até ser destruída por um incêndio, ocorrido entre 1915 e 1917. A data e o conteúdo da correspondência indicam que este cartão foi produzido ou remetido pouco depois daquele acontecimento, constituindo um dos últimos registros visuais do casco. O destinatário da correspondência era Henrique Boiteux, oficial da Marinha e pesquisador da história naval catarinense. Em abril de 1916, possuía a patente de capitão de mar e guerra; seria promovido a contra-almirante em julho do mesmo ano.
DIMENSÕES EM CM (Altura x Largura)
9 x 14
COLEÇÃO / SÉRIE
LOCALIDADE:
TIPO DE SUPORTE
TÉCNICA FOTOGRÁFICA
CROMIA
AUTORIA / ESTÚDIO FOTOGRÁFICO
PALAVRA-CHAVE / TEMAS
Seival, Garrafão, restos do Seival, embarcação histórica, embarcação em ruínas, palhabote, veleiro, casco de madeira, cavername exposto, costado, gurupés, construção naval, patrimônio naval, história marítima, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, Revolução Farroupilha, Guerra dos Farrapos, República Rio-Grandense, República Catarinense, República Juliana, tomada de Laguna, campanha de Laguna, Porto de Laguna, Laguna, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, século XIX, 1839, século XX, 1916, José Arthur Boiteux, Henrique Boiteux, Marinha do Brasil, Estado-Maior da Armada, cartão-postal, fotografia colorida à mão, retoque fotográfico, fotografia de embarcação, paisagem litorânea, grupo masculino, memória cívica, patrimônio histórico catarinense, incêndio, ruínas navais
QUANTIDADE
FONTE DA INFORMAÇÃO
CADORIN, Adílcio. Seival – o barco emblemático na história das Repúblicas Rio-grandense e Catarinense e de Giuseppe e Anita Garibaldi. Instituto CulturAnita, 23 jul. 2021. Disponível em: https://culturanita.org.br/2021/07/23/seival-o-barco-emblematico-na-historia-das-republicas-rio-grandense-e-catarinense-e-de-giuseppe-e-anita-garibaldi/. Acesso em: 1 out. 2026.
DATA DE ATUALIZAÇÃO
1 de outubro de 2026
CONTROLE INTERNO E GESTÃO DO ACERVO
ESTADO DE CONSERVAÇÃO
TRANSCRIÇÃO DE ANOTAÇÕES
Verso: Os restos do Seival; CARTE POSTALE; Correspondance; Adresse; Laguna – 26 de Abril de 1916; Ao illustre amigo e Ir.º Com.te H. Boiteux, offereço a ultima photographia do “Seival”; recentemente desapparecido por propria incúria que o levaram às chammas de uma fogueira. E, hoje, lá das ethéreas alturas, Annita, a heroina dos dois mundos, chorará o aux.º que ajudou-lhe a conquistar os píncaros da Gloria Immortal. Abraça-o saudoso o Conterraneo –; J. Boiteux; Seival; Mr. H. Boiteux; em viagem; D. Sub Chefe do Est. Maior da Armada Nacional; Rio de Janeiro; [ilegível]; IHG-FOT-5371
DIREITOS AUTORAIS
PROCEDÊNCIA DE TITULARIDADE
CATALOGADOR
Eugenio Pelegrin




