Serraria Santana, também identificada sob a designação de Habor, localizada no município de Urupema
DATA / PERÍODO
1929
DESCRIÇÃO
A Serraria Santana, também identificada sob a designação de Habor, localizada no município de Urupema, outrora denominado Santana até a posterior alteração toponímica ocorrida no final de 1943, no Estado de Santa Catarina, é registrada nesta fotografia do ano de 1929. O registro de época coincide cronologicamente com a expedição política de trinta e um dias liderada pelo então governador Adolfo Konder pelas regiões do território catarinense para fins de reconhecimento e integração governamental. Na organização espacial da cena, capturada a partir de um ângulo frontal em campo aberto, o primeiro plano inferior destaca-se pelo acúmulo de uma grande quantidade de tábuas e pranchas de madeira cortadas e empilhadas de forma sistemática em diferentes lotes, evidenciando o desenvolvimento da economia madeireira na região. Próximo ao centro esquerdo, sobre uma das plataformas de madeira serrada, posiciona-se um cão de pé voltado em direção ao flanco direito, onde se encontra uma figura humana masculina de pé observando a câmera. O homem traja vestuário de campo composto por paletó claro, calças compridas, botas de cano alto e um chapéu de abas largas, mantendo uma postura ereta. Na extremidade direita, uma sequência linear de toras de madeira brutas e cilíndricas repousa horizontalmente sobre o solo.
No plano médio, ergue-se a edificação rústica que abriga as instalações da Serraria Santana, caracterizada por uma estrutura fabril de madeira com telhado de duas águas recoberto por pequenas telhas planas de madeira. A fachada do estabelecimento apresenta amplas aberturas funcionais que revelam a obscuridade de seu espaço interno destinado ao desdobro de madeira. O terreno circundante é composto por solo irregular recoberto por vegetação rasteira e pequenos arbustos esparsos que contornam os limites da propriedade.
O plano de fundo é integralmente dominado por uma imponente encosta montanhosa de declividade acentuada pertencente ao relevo da região, cujo topo exibe escarpas rochosas expostas de coloração clara. Na transição entre o vale e a encosta do morro, desenvolve-se uma densa cobertura de vegetação florestal nativa, destacando-se exemplares característicos de pinheiros-do-paraná com suas copas em formato de taça projetadas contra o horizonte. O céu apresenta uma tonalidade clara e uniforme sob uma iluminação natural direta que gera contrastes suaves entre os lotes de madeira dispostos no solo e a opacidade da massa vegetal do relevo no final da década de 1920 do Século XX.