Retrato em plano médio do Tenente Francisco de Salles Brazil, fuzilado no Massacre da Ilha de Anhatomirim no contexto da guerra civil da Revolução Federalista ocorrida entre os anos de 1893 e 1895.
A imagem apresenta um enquadramento do tipo busto centralizado com baixíssima densidade e contraste devido ao avançado estado de desbotamento e alteração química, restando apenas contornos sutis da figura humana contra o fundo pardo do suporte. É possível notar a silhueta da cabeça de um homem com vestígios de bigode, trajando um paletó formal com lapelas abertas em formato de V sobre o peito. Na margem inferior do anverso, identifica-se de forma impressa a inscrição “SALLES BRAZIL”.
O artefato consiste em um cartão colecionável de formato retangular vertical que pertencia originalmente à coleção de cartelas de fósforo da Fábrica de Cigarros de Antônio B. Linhares. A produção do item remete ao período de violenta disputa política entre as forças legalistas conhecidas como pica-paus, defensoras do governo central autoritário de Floriano Peixoto, e os revolucionários federalistas denominados maragatos na antiga cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. A peça funciona como um registro documental das vítimas da expurga política cívico-militar conduzida pelas tropas sob o comando do coronel Antônio Moreira César, cujas detenções resultaram no fuzilamento sumário de prisioneiros no isolamento da Ilha de Anhatomirim.
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