Usina Hidrelétrica do Maruim, localizada no Rio Maruim, no município de São José
DATA / PERÍODO
Déc. 1910
DESCRIÇÃO
A represa e o canal adutor da Usina Hidrelétrica do Maruim, também conhecida historicamente como Usina Gustavo Richard, localizada no bairro Sertão do Maruim na região de Colônia Santana, no município de São José, Estado de Santa Catarina, são registrados nesta fotografia na década de 1910. O empreendimento pioneiro, cuja execução das obras civis foi conduzida pela construtora luso-inglesa Saldanha e equipada com componentes mecânicos importados da Inglaterra pela empresa Simons, constituiu a primeira fonte de geração de energia elétrica da Grande Florianópolis, substituindo os antigos lampiões públicos. Na organização espacial da cena, destaca-se no primeiro plano inferior direito um amplo canal adutor de concreto preenchido por água limpa, cuja superfície reflexiva espelha de maneira nítida a silhueta das árvores e a luminosidade do céu. No canto inferior esquerdo, observa-se uma área de terreno irregular com acúmulo de pedras, solo exposto e galhos secos. Na margem inferior do anverso, identifica-se a inscrição manuscrita “Cachoeira da luz electrica”, inserida diretamente sobre o suporte fotográfico.
No plano médio, estendendo-se horizontalmente em direção ao flanco esquerdo, ergue-se a estrutura da barragem da represa, por onde o volume de água escorre de forma contínua, criando um efeito visual esbranquiçado e fluido de queda d'água sobre o leito pedregoso do Rio Maruim. Sobre um pilar de alvenaria de pedra que integra a estrutura da barragem, três pequenas figuras humanas masculinas vestindo trajes formais da época, compostos por paletós escuros e chapéus, encontram-se posicionadas de pé lado a lado, testemunhando o funcionamento do complexo hidráulico. O plano de fundo é caracterizado por uma linha contínua de morros totalmente recobertos por uma densa cobertura florestal nativa da Mata Atlântica. O céu apresenta-se claro e uniforme, gerando uma iluminação natural difusa que suaviza as sombras projetadas no cenário e acentua os contrastes tonais entre a alvenaria da usina e a opacidade da massa vegetal na transição para o Século XX.