O trecho denominado "Córte da Jaboticabeira", integrante do projeto de interligação hidroviária entre Laguna e Araranguá, concebido originalmente em 1879 pelo engenheiro Eduardo José de Moraes como parte do "Canal Príncipe Dom Affonso", é registrado nesta reprodução fotográfica de orientação horizontal em preto e branco. Na margem superior do suporte de papel cartonado consta a inscrição manuscrita “Canal Laguna - Araranguá” e, na margem inferior, lê-se “Córte da Jaboticabeira”, ambas emoldurando a cena técnica de engenharia hídrica cujas obras se iniciaram em 1908 com o objetivo de criar uma rota segura por dentro do litoral sul catarinense para o escoamento de mercadorias. A cena em plano médio é dominada pela calha escavada do canal preenchida por água escura e reflexiva, onde se desenvolvem frentes de trabalho coordenadas de escavação, aterro e contenção.
Em primeiro plano, no quadrante inferior direito, erguem-se grandes taludes e montes de terra clara e areia recém-escavada que delimitam a margem, estendendo-se em direção ao plano médio. No interior do canal, à esquerda, observa-se uma estrutura linear de contenção ou fôrma feita com estacas e pranchas de madeira paralelas fixadas diretamente na água. Diversos trabalhadores braçais estão dispostos ao longo do canal; alguns aparecem submersos até as pernas no leito hídrico executando tarefas manuais, enquanto outros trabalham com ferramentas de pá na inclinação do talude esquerdo. No centro da calha d'água, uma pequena canoa de madeira alongada encontra-se posicionada sem tripulação aparente. Na margem direita, um grupo de homens trajando vestes formais escuras, sobretudos e chapéus permanece em pé, inspecionando o andamento das dragagens complexas que avançavam a partir de Laguna.
O plano de fundo mostra a calha do canal prolongando-se em uma linha de fuga reta em direção ao horizonte, remetendo ao traçado projetado para o escoamento seguro de cargas. A margem esquerda é margeada por uma densa cortina de vegetação arbórea de mata nativa, sobressaindo uma árvore frondosa de grande porte que se eleva verticalmente contra o céu claro. No quadrante superior direito, vislumbra-se a continuação da vegetação rasteira urbana e o topo de uma palmeira isolada na linha do horizonte. O céu apresenta-se em tonalidade clara e uniforme, sem nuvens aparentes. A iluminação solar é direta e oblíqua, proveniente do quadrante superior esquerdo, projetando sombras tênues das figuras humanas e dos taludes sobre a superfície arenosa e gerando reflexos sutis no espelho d'água.