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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-4148
TÍTULO
João de Barros Cassal (1858-1903)
DATA / PERÍODO
Sem data
DESCRIÇÃO
Retrato de João de Barros Cassal, apresentado em enquadramento de busto e composição vertical. O retratado encontra-se ligeiramente voltado para a direita, mantendo o rosto direcionado à câmera e expressão séria. Apresenta cabelos escuros, curtos e ondulados, bigode espesso e barba curta junto ao queixo. Veste traje civil formal, constituído por paletó escuro de lapelas largas, camisa clara de colarinho alto e gravata com padronagem quadriculada. O fundo é neutro e pouco definido, característica comum dos retratos de estúdio do final do século XIX. A postura, a indumentária e o enquadramento procuram transmitir respeitabilidade e posição social, seguindo os códigos de representação pública de advogados, jornalistas e políticos daquele período.
A fotografia, originalmente monocromática, encontra-se montada sobre cartão rígido claro, ornamentado por filetes vermelhos impressos próximos às margens. No verso aparece a marca do fotógrafo Antonio Iglesias, cujo estúdio funcionou na Rua Riachuelo, n.º 220, em Porto Alegre. Iglesias iniciou sua atividade na capital gaúcha associado a Angelo Inácio dos Santos, no ateliê Santos & Iglesias, inaugurado em 1883; posteriormente, manteve seu estabelecimento no mesmo endereço. A produção do retrato pode, portanto, ser situada nas últimas décadas do século XIX, período correspondente à atuação política e jornalística de Barros Cassal no Rio Grande do Sul. No verso, a dedicatória manuscrita indica que o retrato foi oferecido ao capitão Vicente Coelho, constituindo também um documento das relações pessoais, políticas ou militares mantidas pelo retratado.
João de Barros Cassal nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 2 de fevereiro de 1858. Após breve passagem pelo Exército, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1882, exercendo posteriormente a advocacia e atividades administrativas. Republicano ainda durante o Império, ingressou no Partido Republicano Rio-Grandense e participou da propaganda favorável à mudança do regime. Depois da Proclamação da República, exerceu a chefia de polícia do Rio Grande do Sul e atuou na imprensa partidária, especialmente no jornal A Federação. Seu afastamento da liderança de Júlio de Castilhos ocorreu em meio às disputas relacionadas à organização institucional do estado e ao caráter centralizador assumido pelo castilhismo.
No início da década de 1890, Barros Cassal participou dos governos provisórios formados após o afastamento de Júlio de Castilhos, experiência depreciativamente chamada de “Governicho” pelos adversários castilhistas. Durante a Revolução Federalista, iniciada em 1893, alinhou-se à oposição e acompanhou a coluna comandada por Gumercindo Saraiva, atuando como secretário. Após a derrota federalista, viveu no exílio na Argentina e no Paraguai. Mais tarde, fixou-se em Nioaque, no sul de Mato Grosso, onde trabalhou como advogado e defendeu propostas de reorganização territorial e administrativa da região, sendo lembrado como um dos primeiros formuladores da separação da porção meridional de Mato Grosso. Faleceu em Nioaque, em 19 de outubro de 1903, aos 45 anos.