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NÚMERO DE TOMBO
IHG-FOT-4147
TÍTULO
Joaquim Saldanha Marinho (1816-1895)
DATA / PERÍODO
Sem data
DESCRIÇÃO
Retrato individual de Joaquim Saldanha Marinho, apresentado em formato oval e enquadramento de busto. O personagem, já em idade avançada, aparece em posição frontal, com o rosto levemente voltado para a esquerda e o olhar direcionado para fora do campo da imagem. Possui cabelos curtos e grisalhos, testa ampla e longa barba branca, bifurcada na extremidade. Sua expressão é séria e reservada, característica dos retratos oficiais e de representação pública produzidos durante o século XIX. Veste camisa de colarinho alto, gravata escura, colete abotoado e casaca, compondo a indumentária formal associada às elites políticas, jurídicas e intelectuais do período imperial.
A fotografia encontra-se montada sobre cartão rígido de tonalidade verde-escura, com cantos arredondados, filetes dourados e identificação impressa do estúdio na margem inferior. A inscrição atribui a produção ao estabelecimento Carneiro e Gaspar, sociedade formada pelos fotógrafos Joaquim Feliciano Alves Carneiro e Gaspar Antônio da Silva Guimarães, ativa no Rio de Janeiro durante parte das décadas de 1860 e 1870. O endereço impresso — Rua Gonçalves Dias, n.º 60 — permite relacionar o objeto à fase de funcionamento do estúdio naquele local. Considerando-se o período de atuação dessa sociedade fotográfica, o retrato provavelmente registra Saldanha Marinho entre aproximadamente 51 e 59 anos, quando já ocupava posição de destaque na política imperial e começava a se projetar como liderança republicana e maçônica.
Nascido em Pernambuco, em 4 de maio de 1816, Joaquim Saldanha Marinho formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1836. Atuou como promotor público, advogado, jornalista, professor, deputado geral e presidente das províncias de Minas Gerais e São Paulo. Inicialmente vinculado ao Partido Liberal, tornou-se uma das principais lideranças do republicanismo brasileiro, participando da elaboração e da divulgação do Manifesto Republicano de 1870. Na imprensa, assinou como Ganganelli numerosos artigos em defesa da liberdade de consciência, do casamento civil, da secularização dos cemitérios e da separação entre Igreja e Estado.
Saldanha Marinho também alcançou posição de destaque na Maçonaria, exercendo o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil e participando ativamente dos debates relacionados à Questão Religiosa da década de 1870. Após a Proclamação da República, integrou a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto da Constituição de 1891 e foi eleito senador pelo Distrito Federal. Sua trajetória conecta o liberalismo imperial, o movimento abolicionista, a defesa da laicização do Estado e a organização política republicana. Faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 1895, aos 79 anos.
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